O morto e a vida – subjetividades significativas

Finalmente. — Conclui o infeliz que acaba de se livrar do peso de sua vida.

Olá! — Exclama a voz, parecendo vir do além.

Olá? — Questiona o homem morto, agora atordoado. — Não pode ser, fiz tudo certo. Será que ainda estou vivo? Que voz é essa?

Enfim, estás me ouvindo. Está tudo bem, fique tranquilo. Eu sou a vida e vim conversar com você. Agora és um homem morto.

Vida? Mas o que é que você ainda quer comigo? Poderias me deixar em paz, e respeitar a minha morte? Ah, eu não acredito!

Ah, sim. Bom, é que… Eu gostaria de entender algumas coisas. E preciso conversar sobre isso porque não consigo adivinhar ou rastrear pensamentos, então imaginei que…

Não! Eu não acredito. Por que você não me procurou enquanto eu estava vivo? Agora que finalmente conquistei o descanso dos mortos você ainda vem me perseguir com suas questões “filosóficas”?

Me desculpe.

O que eu devo fazer agora? Nunca imaginei ter que pensar em como me livrar da vida sendo um homem morto. Como você consegue se comunicar comigo? Como é que eu consigo me comunicar com você?

Olha, isso não importa. E você não precisa se livrar de mim, já não exerço qualquer influência sobre você, és um homem morto. Eu só preciso conversar e achei que pudéssemos fazer isso numa boa. Acompanhei a sua angústia. E não consigo entender. Talvez se você falasse sobre isso comigo, eu poderia mudar em alguns aspectos e tentar melhorar pra não perder tantos como você para a morte. Tá chato isso, tô perdendo a moral.

Não entende? Então faça o seguinte: sobe no seu ego e pula. Se mata!

O que você está fazendo é apologia ao suicídio. Sabia que é crime?

Dane-se. Eu agora sou um homem morto. E você uma velha fracassada. É por isso que tá perdendo tantos seguidores para a morte. Rá! “apologia ao suicídio é crime”. Típico de recalque. Há certas apologias à felicidade que deveriam ser crime da mesma forma.

Tudo bem, vamos tentar outra vez. Eu posso ser velha, mas me tornei sábia. Pare com seus ataques infantis e infames. Vamos conversar sobre isso. Preciso entender melhor tudo isso. Faço aqui um mea-culpa relacionado à essas coisas. Não sei em que ponto desandei desse jeito.

Você é sádica. Ou tem problemas cognitivos? Viver está insuportável. Logo mais será crime fazer apologia à vida. Espera só pra ver. Questão de tempo, e de percepção social.

Jovens! Sempre tão intempestivos. Você quer um chá, uma bebida, suco de laranja?

Café! Sem açúcar. E um cigarro também.

Ok, café sem açúcar. Pode deixar o cigarro pra depois? É que a fumaça me dá náuseas, sabe. É tanta gente cultuando a morte através dele de maneira tão natural que eu me sinto fragilizada perante essa impotência, minha.

Ah, claro. Além de fracassada, decadente e sádica, você ainda é hipócrita. Ou não sabe que o cigarro faz pessoas vibrarem por você? Aqueles empresários exploradores e tudo o que envolve a indústria tabagista, eles usam uma apologia à vida pra vender cigarros, que geram a morte. E aí a apologia ao suicídio é que é crime. Há uma longa cadeia de vidas sendo suportada pelo cigarro, os produtores dessa cultura da morte. Sinistro, não é mesmo?

É, sinistro. Eu não controlo essas coisas. São os humanos, essa sua raça louca, me perdoe, que avacalham com a minha reputação. Mas é isso que estou tentando entender. Vocês enquanto humanos existentes em mim, tem potencial e capacidade pra me transformar em um lugar maravilhoso, ‘e-terno’, aconchegante, inspirador. Por que estão fazendo justamente o quase oposto disso tudo?

Tá querendo tirar uma onda de mãezona, é? Lembra do Freud? Ele tinha umas teorias sobre essas relações familiares, nada muito agradáveis. O que é que tá pegando? Tá carente?

Você poderia por favor conversar direito comigo? De certa forma é carência sim. Estou carente de participação. Eu sou a vida! E onde estão os meus vivos? Sinto alguns momentos de pertencimento para uma existência toda desconectada. Parece que transformam-se em zumbis. Mas eu não sou tempo e nem espaço pra isso, eu existo pra ser vivida.

É dona, tua causa tá quase perdida.

Me ajude a entender isso?

Ah, pronto! Morto e terapeuta da vida. Você tem noção do que está me pedindo? Isso é alguma brincadeira? Estou em uma UTI sendo manipulado por experimentos de pesquisadores neurocientistas? Sempre achei essa área de estudos genial, mas não estou interessado em colaborar. Eu só quero morrer em paz!

Certo. Não. Não. Nada disso importa. Como estamos nos comunicando, nada disso. Você não está em uma UTI, lamento informar, você agora é um homem morto. Eu sou a vida e nós precisamos conversar. Eu preciso. E sou insistente.

Vivo era perseguido pela expectativa da morte, morto sou perseguido pela perspectiva da vida. Você não vai me dar outra opção mesmo, não é? Pelo menos estou seguro de que pra você eu não volto tão cedo.

Obrigada pela receptividade. Estou convicta de que teremos uma longa conversa!

Não espere respostas carinhosas.

Jovens… Tudo bem, rapaz. Vá em frente. Consegue me falar?

Não lembro se já precisei falar sobre essas coisas com alguém. Eu falava muito comigo mesmo. Mas explicar pra alguém parece mais complexo, causa a sensação imediata de que será inútil.

Mesmo assim, prefiro que você tente. Veja bem, eu acompanhei os seus dramas. Mas eu acompanhava como uma expectadora distante. Essa experiência de estar aqui olhando pra você, falando diretamente, aprofunda a compreensão que posso ter. Então basta que você queira se comunicar e nós vamos desenvolvendo as questões no decorrer do assunto.

Eu não sei o que dizer. Agora que você não exerce mais suas forças sobre mim, eu me sinto aliviado, mas também ainda não tive tempo de sentir outras coisas, e nem sei como ainda consigo raciocinar e ter memórias. Talvez eu comece a pensar que deveria ter insistido mais, tentado outras maneiras, buscado outros caminhos pra me sentir pertencente. Talvez, porque é esse o caminho racional que fazemos quando nos julgamos através dos filtros de ignorância que carregamos em nosso pseudo conhecimento. Tive os meus momentos de pertencimento.

Sente-se aliviado?

Muito!

Por quê?

Porque consumir é o “sentido da vida” para maioria dos seus zumbis neste momento. 24 horas por dia, 7 dias por semana. O tempo não para. As pessoas que estão vivas na sociedade atualmente parecem viver somente para o consumo. Isso me incomodava demais porque eu não conseguia me encaixar nesse padrão e era cobrado por isso.

Eles não são os meus zumbis. São zumbis de si próprios, lamento por isso. Eu sou a vida, e eles, vocês, deveriam estar conectados à mim. Mas estão desconectados. Você falou antes em momentos de pertencimento. Poderia me falar mais sobre esses momentos? O que você sentia?

Sim. Eram os momentos de alegria, de radiação, de sangue pulsando forte pelo corpo todo. Momentos em que eu podia sentir. Imagino que são os momentos em que produzimos muitas substâncias químicas que regeneram células e criam novas conexões neuronais. É como uma festa. Uma festa bonita.

Talvez.

Ou quando eu fazia a rima entre alguns versos, jogando palavras. Naquele momento não é só um jogo de palavras, há algo mais acontecendo, há alguma subjetividade, há memórias, há desejos, são coisas muito etéreas. Não é um jogo de palavras como um cálculo matemático, frio. É um jogo de palavras como uma conversa cuidadosa, afetuosa. Onde você observa, sente, analisa, avalia, e se arrisca aos pouquinhos, é uma surpresa. Muitos momentos a sós são os que eu mais consigo lembrar.

Por que será, não é mesmo? Você passava a maior parte do tempo sozinho.

Não tive paciência pra muita gente. E também poucos tiveram paciência comigo. Os ambientes eram mais agradáveis do que as pessoas. Então, preferia ficar sozinho.

Haviam algumas pessoas com quem você mantinha uma relação mais próxima, estável e duradoura. Poucos mesmo, e de costumes muito semelhantes aos seus. Solitários, e nada de festas.

Festas. Coisa mais brega desse comportamento consumista.

Uma orgia de livros carrega tanto consumismo como uma festa.

Agora tá parecendo aquela professorinha que um dia me disse que assistir uma novela é como ler um livro.

Cansou dos livros? Por que se suicidou?

Não, não cansei dos livros. Por eles eu teria vivido mais uns cem anos. Cansei de você. E pra continuar lendo os livros eu dependia de você. E como você não tem sentido algum, ler era o sentido que eu te dava. Mas o sentido que eu te dava não tinha valor nessa sociedade torta do consumismo. Não se encaixava.

Lamento tanto por isso.

Eu me sentia sufocado. Pressionado. Acho que consegui te experimentar em vários momentos, mas as pressões criadas eram demasiadamente insustentáveis. Não é a toa que os índices de pessoas dopadas com drogas de todo o tipo só aumentam a cada ano. E até entre os que se drogam, há muitos que desistem desse grande nada absurdo. Você pra mim virou isso. Um grande nada ambulante.

Não. Isso não é verdade. Há muitas pessoas conectadas à mim, apesar de a grande massa ser mesmo de zumbis embalados pelas propagandas e levados ao consumismo materialista, desenfreado e sem sentido. Há amor no mundo. Muito amor. É isso que conecta essa sua espécie a mim. É subjetividade. E vocês até já sabem como o corpo reage à essa subjetividade. Isso é viver. Eu sou a propulsora dessa energia gerada na subjetividade. Nenhum objeto material substitui essa propulsão. Esse é o engodo em que a sua espécie se jogou. Acharam que colocar minhocas em anzóis e direcionar os peixes os fariam nadar mais rápido. Isso não funciona, pois além de não nadarem mais rápido, ainda perdem a riqueza do caminho.

Me perdoem por interromper. Ouvi a conversa de vocês.

Hã? Quem mais pode nos ouvir?

Relaxa jovem, é uma garota. Aproxime-se, apresente-se.

Oi. Eu estava escrevendo e ouvi a conversa de vocês, não queria interromper, mas… Meu nome é Sirina e eu escrevo para os fantasmas.

Surreal, como é que você consegue se comunicar comigo, um homem morto, e com a vida?

Deixe-a falar, jovem. Vamos ouvi-la. Por que se interessou pela nossa conversa, Sirina?

A conversa de vocês, ela parece ter elementos de algo que escrevi e gostaria de ler pra vocês, quem sabe poderiam me dar alguma ideia?

Morto, terapeuta da vida e ouvinte de escritora que escreve para os fantasmas. Que beleza.

Seja gentil, meu caro. Você agora é um fantasma! Somos ouvintes, Sirina. Prossiga.

Obrigada. Fico contente ao encontrar fantasmas assim, receptivos. Vou ler devagar, porque são textos escritos sem pressa.

Tranquilo, eu tenho a morte toda pela frente.

Nós também não temos pressa. Somos apreciadores. — Disse a vida com um olhar repressor para o morto.

A cordinha e o fiapo – ilusões intelectuais

Há um tapete no chão da sala. Sobre o tapete algumas almofadas me convidam a deitar e olhar para o teto branco. A melhor prancheta que há para os pensamentos ainda não organizados. Parece a melhor perspectiva de se olhar para um nada. É no teto branco, sob essa perspectiva de um grande nada, que aos poucos e com um pouco de imaginação, começam a surgir outros nadas.

Comecei a pensar na vida. Nas experiências, nas observações, nos aprendizados, e nas conclusões que necessariamente exigirão novas experiências, observações e aprendizados.

As cordinhas da vida. Sob esse título escrevi a respeito do que o teto branco estava me mostrando e publiquei para em seguida receber o comentário: “se soltar, cai”. Naquele dia, e talvez naquele momento da minha vida, eu buscava entendimentos. Estava deitada sobre as almofadas no tapete do chão da sala quando imaginei o teto branco representando toda a vida humana na Terra e tendo nele, no teto branco, várias cordinhas penduradas, que seriam as então ‘cordinhas da vida’. Cada cordinha representava uma crença, uma ideologia, uma teoria, uma emoção e todas as coisas que nos fazem sentir participantes de algo nessa vida, de alguma forma. E nós, humanos, seres dotados da capacidade cognitiva, só existíamos agarrados à essas cordinhas. “Se soltar, cai”, comentou Constantino.

Ainda observando o teto branco e imaginando as cordinhas penduradas com os seres humanos existentes agarrados à elas, pude visualizar algumas circunstâncias dessa vida. Há pessoas que nascem e morrem permanecendo agarrados à mesma cordinha por toda a sua jornada existencial na Terra, local onde testemunhamos essa experiência. Há algumas pessoas que pulam de cordinha em cordinha, se aventurando, buscando outras maneiras de pertencimento. Há pessoas que estão simplesmente reconhecendo as cordinhas, passando por todas elas, o tempo todo. Conhecem muitas mas não conseguem se definir agarrados à nenhuma delas, precisam se segurar apenas para não cair, não importando à qual delas estejam se dedicando no momento. E há também algumas pessoas que simplesmente não suportam as cordinhas. Já rodaram por toda a vida procurando uma à qual pudessem se agarrar mas não encontraram. Não há uma cordinha que lhes sirva. O que acontece se soltar as cordinhas? Foi a pergunta que encerrou a minha publicação.

Algumas linhas atrás, quando escrevi sobre um momento da vida em que buscava entendimentos, esqueci de fazer uma advertência: causa dependência química. Isso porque os neurônios começam a percorrer caminhos e criam o hábito de pensar para aquém e além em todas as direções. “Se soltar, cai”. E como seria o cair? Como saber sem experimentar a queda? Eis a segunda parte da história.

Enquanto estamos motivados por uma paixão, um amor, uma militância, um trabalho, uma ideologia, um ativismo, uma filosofia de vida, etc., significa que estamos agarrados à uma cordinha ou que estamos nos aventurando com liberdade pelas cordinhas. Mas estamos lá, agarrados e pertencendo. No momento em que não há uma paixão, nem um amor, nem militância, e todas as lifecoisas parecem perder o sentido, e tentamos [desesperadamente ou não] encontrar uma nova cordinha para nos segurar, e não encontramos, até a cordinha onde estamos, para nós, transforma-se em um mero fiapo. “Se soltar, cai”; e nem precisa ser muito esperto pra saber que se cair, não volta mais. Experimenta-se então um fiapo entre as cordinhas da vida. É quase como cair, só que ainda dá pra voltar.

E mesmo quando compreendemos isso, talvez ainda tenhamos uma causa própria agarrados naquele fiapo: a busca pelo entendimento. Como pode alguém não se emocionar, não se motivar, não se envolver com a vida? Como pode alguém preferir soltar as cordinhas e cair a permanecer em constante movimento experimentando todas elas? Como pode alguém cansar de viver? Talvez, porque às vezes, acontece de notarmos o quão nada a vida é. O quão igual todas as cordinhas são. E o quão dependentes estamos delas o tempo todo. Seja por medo ou por amor, segurança ou indiferença.

Enquanto agarrados ao fiapo, várias vezes podemos pensar em soltar, muitas das vezes queremos soltar e algumas vezes nos descobrimos covardes para cair. A isso podemos dar o nome de angústia. O fiapo nos aguenta o tempo que for, só que nós não aguentamos um fiapo por muito tempo. No começo pode até parecer bom, cumprindo o papel de uma cordinha diferente o fiapo até que se dá bem. Ele nos apresenta novas nuances da vida, é cru, sem os véus ilusórios das cordinhas. O inferno são as cordinhas, que em maioria, sufocam os fiapos. Agarrar-se a um fiapo pode dar a sensação de desconexão, você se desconecta de tudo o que existe no teto branco, pois a vida só acontece nas cordinhas, quando estamos agarrados à elas.

É preciso saber viver”, “deve haver alguma coisa que ainda te emocione”… dizem nas canções. Quantos de nós paramos pra pensar sobre isso? Para que pensar sobre isso? Por que pensar sobre isso? Onde, como e com quem pensar sobre isso? Um bom terapeuta pode ser bastante útil. Não há jeito conhecido de permanecer vivo sem estar agarrado em alguma dessas cordinhas, e até aqueles que acreditam que não estão, sempre ainda estão. A gente entende isso quando se pendura num fiapo, o lugar da escolha entre o soltar e cair e o segurar e permanecer. É preciso dar significados para as cordinhas. Elas existem para que a nossa capacidade cognitiva seja ativada em criar ilusões e nos manter em evolução constante [podemos evoluir positiva ou negativamente, pra esclarecer os que questionarão a “evolução” humana]. Assim, até uma cuca de morangos orgânicos ou um bolo de chocolate pode se tornar uma motivação para existir, uma razão de viver, uma cordinha da vida. Na continuação da música do Humberto Gessinger, quando fala em “alguma coisa que ainda te emocione”, em seguida ele sugere “um vinho tinto, um copo d’água, chuva no telhado, um por de sol”. Em um dos filmes mais surpreendentes que assisti enquanto pensava nas cordinhas da vida, a personagem interpretada por Julia Roberts em certo momento discutindo com a irmã sobre o fim do casamento dispara que as pessoas se apaixonam até por uma pedra pintada, questionando sobre o que é então a paixão [ou o fim dela, referindo-se ao amor romântico]. Somos nós quem damos os significados às coisas, e não elas que significam por antecipação para nós. Lars von Trier consegue ainda ser o mestre desses questionamentos no cinema. Em Melancolia, mais um de seus sempre perturbadores filmes, a personagem principal da trama, tomada pela depressão, não vê mais razão alguma para viver até que a morte se torna uma realidade futura imediata. É ela que com sua força de entendimento sobre [o grande nada d] a vida, conforta a irmã e o sobrinho durante a grande explosão do fim, e o cunhado que quase não suportava o estado em que ela vivia foi o primeiro a se suicidar. A vida cotidiana está farta de exemplos de pessoas agarradas aos fiapos, tentando encontrar um sentido para dar significados às cordinhas. Podemos questionar o surgimento de cada cordinha pendurada neste teto branco, elas nem sempre estiveram lá. Fomos e somos nós que as inventamos e criamos seus significados o tempo todo. E seguimos renovando as nossas invenções com sofisticação usando justamente a tal capacidade cognitiva que agora se alimenta dessas ilusões para, talvez, ampliar-se.

Deve haver alguma coisa que ainda te emocione”. Alguém, um lugar, uma ideia… Algo que faça valer a pena agarrar-se em uma cordinha e dar à ela o significado que ela quer ter. “Se soltar, cai”. E se cair, não haverá outra chance de explorar o teto branco. Qual será que foi a primeira cordinha que surgiu neste teto branco da vida? Será que foi a cordinha da auto sobrevivência? É a teoria defendida pelo biólogo Richard Dawkins em o Gene Egoísta. Há uma necessidade inata de sobreviver para qualquer ser existente aqui na Terra porque assim os genes se modificam e se adaptam com mais eficiência. Queremos cumprir o nosso ciclo, e para isso, inventamos significados. Nós criamos histórias, construímos pensamentos que nos levam aos encontros com as cordinhas por todo o tempo/espaço do existir. As ilusões são todas por nossa conta.

Sobreviver para quê?” é um dos questionamentos que mais levam pessoas aos fiapos e também o que mais faz com que elas retornem às cordinhas.

Por fim, observando o teto branco, o grande nada da vida, pode-se notar que nós somos uma bando de perdidos no tempo, e presos num espaço, escolhendo sem muito entender, em qual “brinquedo” vamos brincar agora. E o teto branco aos poucos vai se apresentando como um grande playground por onde temos as opções de fazer desse momento o melhor que ele pode ser. Experimentando as ilusões, dando sentido aos significados.

Para permanecer pendurados, precisamos amar. Qualquer coisa. Precisamos nos encantar. Precisamos descobrir sutilezas capazes de nos motivar a ser partes do pertencimento. Precisamos olhar com interesse e curiosidade, precisamos buscar os significados que podemos dar às coisas. Precisamos. Porque esse esforço em colaborar com as nossas células evolutivas, é todo nosso.

Somos nós quem damos os significados às coisas, e não elas que significam por antecipação para nós.”

Então? O que acharam?

Vou ali dar uma morridinha e já volto. — Disse o morto, saindo de fininho. Ao que a vida emendou:

Desconfio que estou passando por uma crise existencial. — Dissolvendo-se em silêncios.

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Fotografia de Jalleh Inemen – Eucalipto na Redenção / RS

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