As normoses e os normais – violências implícitas

Relações sociais. Quanto tempo uma pessoa pode levar para perceber e entender que está sofrendo agressão direta de outra pessoa? A indireta sofremos todos, em tempo integral, ao passo em que também a praticamos. E quanto tempo levará uma pessoa para perceber e entender que está sendo agressora para outra pessoa?

Será que todos temos consciência das agressões que sofremos e das que impomos aos outros (e se o outro for eu?)? Será que todos temos consciência sobre a nossa natureza violenta e cruel? Será que temos consciência sobre os mecanismos sociais que estimulam o comportamento agressivo, autoritário, controlador? Ou a maioria de nós, auto declarados cidadãos de bem, acredita-se mesmo seres celestiais, iluminados por deus e ‘bondosos’ de alma?

Ingenuidade. Ela está para os dois lados, como quase tudo nessa vida. A ingenuidade é daquele que se acredita bom, correto, sensato, etc., sem o ser de fato. Ela é também daqueles que sofrem sem compreender que o que está acontecendo é uma agressão, e simplesmente acreditam que pode ser um ‘momento de aprendizado e crescimento’ do outro, que supostamente pode não ser “tão evoluído quanto eu” (e se eu for o outro?). O que acontece primeiro? A ingenuidade ou a negação?

Não sei escrever em linguagem universal, para que todos entendam. Percebi isso enquanto conversava com algumas pessoas mais próximas. Algumas se agarram aos ensinamentos bíblicos. Outras à sua própria ignorância, que é melhorada gradativamente (para pior) com o passar dos anos. E outras simplesmente não entendem nada enquanto me escutam. Talvez nem me escutem. E aí quem acaba não entendendo nada sou eu. Escrevo para deixar registrado. E para que aqueles poucos que compreendem, possam ler e talvez dialogar com a escrita.

Quando estudamos a linha do tempo da humanidade em referência ao que se tem conhecido, pesquisado e publicado até os dias atuais através da História, Antropologia, Psicologia, Filosofia e até da Deriva Genética ou da Biologia, podemos elaborar uma compreensão ampliada e mais profunda sobre o comportamento humano e das sociedades atuais. Estou falando de nós mesmos. Todos os aqui’s e agora’s. Presos neste tempo, perdidos neste espaço.

Antes de prosseguir, exponho a minha opinião pessoal sobre a Bíblia: Um livro escrito a várias mãos, por poetas, filósofos e intelectuais da época (1500 a.C – 450 a.C, nos livros do Velho Testamento) e organizado por pessoas extremamente visionárias, futurísticas, e capazes de prever que aquele livro serviria para salvar a humanidade de sua própria barbárie. Um livro moralista, que segundo os planos de seus idealizadores, serviria para “colocar o povo na linha”. Uma tentativa de educar, adestrar, e fazer funcionar (sabemos que não funcionou) uma sociedade. Certa vez comparei a Bíblia a um livro de administração de empresas; assim como o livro didático ensina a organizar e administrar empresas, a Bíblia conduz pessoas a um comportamento ‘padronizado’, regido por ameaças de punições e supostas garantias de “um lugar ao céu” ao lado de “deus pai todo poderoso… blá, blá, blá” e outras balelas mais. Algumas passagens são de pura poesia filosófica, se limparmos a parte da lavagem cerebral da divindade maior “regendo a vida humana”. Só.

Essa crença de que um texto supostamente sagrado pode melhorar o comportamento de alguém pelo fato de supostamente ser a palavra de um tal deus criador do céu e da Terra (uma poeirinha cósmica muito especial perdida em meio a bilhões de galáxias) tem colaborado para o avanço da ignorância no mundo atual. Nunca houve tantas igrejas por metro quadrado para comprovar essa desconfiança.

Pais agridem filhos, filhos agridem os pais; namorados se agridem, amigos também. Desconhecidos se xingam no trânsito, na fila do caixa ou discordando sobre política. Até eu (ou eu sou o outro?). Chefes agridem os empregados, que agridem os colegas, que agridem os chefes. Todas as nossas relações contém também alguma violência. Como podemos então avaliar até que nível essa violência é aceitável e a partir de que nível ela é prejudicial para nós? Quanto tempo podemos levar uma violência aceitável pela vida até que ela se torne prejudicial? Uma violência prejudicial, perante uma mudança de perspectiva do prejudicado, pode ser transformada em uma violência aceitável? Por que aceitamos? Por que denunciamos? Por que mantemos a perspectiva? E por que a mudamos?

Em meados de 2016 foi divulgada uma notícia sobre um caso de eutanásia autorizada para uma jovem holandesa de 20 anos que havia sido violentamente estuprada durante 10 anos, dos 5 aos 15, e que não conseguia superar os traumas para seguir vivendo uma vida “normal”. De normal até aqui, só as nossas normoses. São casos extremos, raros (pelo menos de virem à tona), muito diferentes dessa pressãozinha comum que sofremos com as metas no trabalho, não é mesmo? Para o nosso entendimento pessoal, muitas vezes apoiado por compaixão, pode ser. Para o nosso cérebro os danos serão semelhantes.

Lembro-me de uma história contada por uma sobrevivente de Auschwitz. Ela dizia que um dos homens de alto escalão do Nazismo ficou encantado com sua beleza e a convocava para dançar para ele. Ela era bailarina. Contou que não sentia raiva, ou revolta. Ela dançava satisfazendo-se, porque gostava de dançar e porque perante as expectativas de morte, aquele poderia ser seu último momento como uma última chance de realizar as manobras perfeitas. Como dizem, que de um limão faz-se uma limonada. Podemos mudar a perspectiva e evitar os traumas? Podemos manipular, através da maneira de pensar e encarar os fatos, uma situação de violência e transformá-la em uma situação de normalidade sem prejuízos? Se esta bailarina tivesse se revoltado, com ira, e se negado a dançar para o Nazista, em protesto pelos assassinatos, teria mudado alguma coisa na História? Teria ela construído um caminho de amarguradas lembranças para a sua vida futura? Será que no fundo, escondido entre os movimentos do balé, ela não reprimiu essa ira, a revolta e o medo, por receio da morte e por desejo de poder se vingar na próxima oportunidade? Será que essa lembrança de ter sido doce, contrariando todas as expectativas, pode lhe causar sentimentos ruins e de revolta depois de tantos anos?

texto-8Por quanto tempo podemos aguentar as agressões que causamos a nós mesmos até que elas se transformem em traumas, algumas vezes incuráveis? E quão difícil torna-se reconhecer a autoagressão, assumindo o feito, por essa perspectiva, para que as chances de transcendência sejam mantidas sem prejuízos? Parece mais cômodo, fácil, rápido e indolor sucumbir à hipocrisia, à dissimulação com máscara de ingenuidade.

Quanto de colaboração sobre os nossos traumas podemos colocar na conta da cultura em que vivemos? Ou quanto de colaboração tem a nossa cultura sobre a maneira como lidamos com as nossas relações? Será possível desenvolvermos relações saudáveis sem antes compreendermos a nossa natureza, que causa nossos impulsos, e sem compreender o mais importante, que é como lidar com isso? Números cada vez mais alarmantes de pessoas vivendo (será?) sob efeitos de medicamentos psicotrópicos estufam estatísticas que assustam e que podem nos dizer mais sobre a comodidade da manutenção da ignorância nesse nosso existir. Ignoramos o conhecimento e nos agredimos, ignoramos a cultura violenta e nos dopamos, e ignoramos até as nossas ignorâncias. Talvez seja um mecanismo programado no inconsciente, para argumentarmos em defesa própria sob a óptica do vitimismo, quando pegos pelas acusações (certeiras) de outros.

Somos amplamente [ir]responsáveis pela maneira como nos relacionamos e pela sociedade em que vivemos, moldada ao nosso sabor, este sempre influenciado por interesses maiores. Quando prejudicamos os outros (ou os outros sou eu?), que propósito estamos buscando? Afinal, nessa vida, estamos seguindo algum propósito? Há diferença entre o buscar e o seguir algum propósito? Buscamos conhecimento, entendimento e práticas evolutivas para seguir melhorando a experiência, ou seguimos o capital, status e materialismo inútil para buscar um lugar no céu? Ou talvez em busca dos 15 minutos de fama que justifiquem essa correria toda? O famoso “ser alguém na vida”.

Saber que há violências e conhecer suas nuances, reconhecê-las, identificá-las, pode nos permitir defender-se de maneira satisfatória em diversos casos. É também necessário tomar esse conhecimento para não praticar a violência de forma “ingênua”, sem saber que o que se está a fazer é um tipo de agressão que provavelmente prejudicará o outro. Os verdadeiros agressores são os que conhecem a violência e a praticam de maneira consciente, proposital, sem remorso algum, para extrair qualquer tipo de vantagem. E as vantagens podem ser tão mesquinhas que nem seríamos capazes de imaginar tamanha miséria de espírito destes ‘seres’.

Antes era a Bíblia, agora temos também outra aliada: a televisão. A maioria das pessoas do planeta assistem novelas. Até nas aldeias indígenas e entre os ribeirinhos há uma televisão para assistir novelas. Crescem em frente à uma televisão (quase morro de tristeza). Passam pelo menos 4 horas de suas noites assistindo novelas. E o que as novelas ensinam? Isso mesmo, as novelas ensinam um comportamento padrão. A televisão molda o cérebro para ter o entendimento que o mercado quer que as pessoas tenham, e a clientela é farta. Tomam toxi-cola (e não entendem patavicas sobre nutrição e alimentação natural), usam roupas de marca (acham que ficam tão bons quanto os modelos que ganham fortunas pra fazer os comerciais? E ignoram as denúncias de trabalho escravo), colocam silicone, casam na igreja (e gastam o valor de um imóvel popular na festa, e anunciam isso como se fosse algo louvável, sem saber das origens sociais, históricas e econômicas do casamento), ostentam joias (que são frutos da escravidão de crianças nas minas de ouro e diamantes – mas defendem a infância segura porque querem parecer legais e ganhar curtidas nas redes sociais), uma imagem que pode ser detectada à distância, e, praticam agressões. Psicológicas, emocionais, físicas, diretas e indiretas. Pare de assistir televisão e você começará a perceber como era moldado pela programação e pelos comerciais.

Perante a histórica presença do mal, das violências, do comportamento agressivo, como podemos então estabelecer relações saudáveis, construtivas e afetivamente seguras e estáveis? Tenho dito há algum tempo que prefiro os livros. Eles levam mais longe, acertam mais vezes. Pessoas podem estar acima de qualquer suspeita e quando menos esperamos, tornam-se (apresentam-se) violentas, agressivas, tóxicas e prejudiciais; desde que ainda não estejamos preparados para reconhecer e lidar com isso, ou dar no pé mesmo, antes de ter que recorrer às denúncias policiais, como frequentemente ocorre em casos de enlace matrimonial.

Desconstruir os comportamentos que são implantados nas sociedades de forma impostora, requer que os conheçamos primeiro. Teremos que ir até eles, encará-los, enfrentá-los, esmiuçá-los, para então nos afastarmos e termos a condição de não mais permitir essa intromissão. E só podemos visualizá-los nos distanciando da nossa realidade umbilical. É preciso ampliar o horizonte, conhecer novas fontes, observar atentamente. É preciso fazer a autocrítica. É preciso de determinação e persistência, pois as normoses dos normais tentam nos puxar de volta a todo instante. É preciso desenvolver um discernimento a partir de conhecimentos diversos, ousados, geralmente rejeitados na formação do senso comum.

Hoje a tarde, enquanto descansava deitada sobre uma cama macia em um quarto silencioso com as cortinas fechadas, naquele estado em que estamos adentrando num sono profundo, fui surpreendida por uma carreata que passava a poucos metros de onde eu estava. Carros, buzinas, foguetes, motores de motos potentes e goelas, além de músicas bregas em caixas de som de qualidade duvidosa. Despertei aflita. Coração acelerado, respiração ofegante, atordoada. Pá…. pá, pá, pá, pá, pá! Pow! Vruuuuummmm, vruuuuummmm… Biiiiii, biiiiiiii, biiiiiii!!! Fóóóómmmmm, fóóóómmmmm.

Onde estou? O quê? Hã? O que está acontecendo?” — Poderia ser a Terceira Guerra batendo à porta. Com a realidade dos dias atuais, nada mais previsível do que uma Grande Guerra. — Segundos depois (isso tudo se passa muito rápido), ouço um jingle bells e uns Ho Ho Ho! Que alívio, não passa de um bando de seres estúpidos. Mas eu ainda estava com os batimentos cardíacos alterados e a minha expectativa de ter uma tarde de descanso renovador foi-se para o brejo. Levantei e abafei o desapontamento com um pote de granola enquanto pensava: Como ficam os bebês que são despertados por esse movimento violento de pessoas sem noção? A cada foguete parecia que a casa cairia sobre a minha cabeça e eu morreria sufocada entre os escombros. Os bebês ainda não tem essas memórias pra imaginar tamanha desgraça, mas eles se assustam com barulhos abruptos e agressivos, sim senhor. Como ficam os idosos, principalmente os descendentes das Guerras, que lembranças afloram em suas memórias? E os animais todos? Ah, os animais. Devem se esparramar pelas matas ao redor, tomados de pânico em defesa da auto sobrevivência. Humanos, que animais estúpidos.

Também pensei em como esses movimentos de “alegria”, repetidos à exaustão em festas de final de ano, campeonatos de futebol e carnaval (atualmente carregam algum significado além dos comerciais e materialistas?), podem representar uma relação paralela com a tristeza de uma guerra. Enquanto que na guerra os estouros matam, as sirenes alarmam o terror e os motores se aproximam trazendo sofrimento e dor, nessas comemorações, todos os elementos transformam-se em uma “grande festa” (não para mim). Há uma deformação de significados, e uma normalização da violência implícita nesse conjunto de comportamentos que se tornaram triviais. A questão seguinte é: qual é a História (provavelmente macabra) por trás dessas culturas comemorativas? O que pretende-se fazer ser aceito na sociedade quando os elementos de comemoração simulam os elementos de uma guerra? Percebem que os mesmos elementos que impõe morte e destruição em uma guerra, impõe alegria e esperanças nessas comemorações (atentem ao “impõe”)? Por que questionaríamos a violência implícita? E por que a aceitamos de maneira tão natural?

Depois de mais de dois anos vivendo praticamente exilada da sociedade, essas observações emergem com aspecto de “causa perdida”, porque ainda há e haverá cada vez mais dos poderes superiores trabalhando por trás de uma televisão, que estará cada vez mais presente promovendo a manutenção das normoses.

Desejo poder continuar na companhia dos meus livros, que levam mais longe e acertam mais vezes. São eles que me ajudam a desviar dessas normoses. As normoses dos “normais”.

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Fotografia de Jalleh Inemen – Autoretrato no Morro do Índio / SC

A página e o branco – relações desafiadoras

Uma página em branco. Tudo o que preciso fazer é escrever nela para ver se uma nova entidade se assume. Não suporto mais esta página em branco. Há tempos me deparo com ela e não sei como agir. Sinto um tipo de insegurança, fico confusa e por fim quase entro em pânico. Passivo, pois nunca pensei em colori-la. Não. Isso afetaria a sua “personalidade”. Quero superá-la sem trapacear. Continuar lendo A página e o branco – relações desafiadoras

O ser e a sigla – ideologias partidárias

O processo geralmente é muito semelhante. Um exemplar masculino e um exemplar feminino geram, através de um ato biológico, e por vezes também afetivo, um novo exemplar. Um exemplar bebê. Que vai depender de cuidados e atenção até se tornar um ser humano autônomo. Em circunstâncias habituais, atividades cerebrais marcadas por impulsos eletromagnéticos neuronais acompanham o desenvolvimento dos bebês.

Em experimentos realizados na década de 1960, os pesquisadores David Hubel e Torsten Wiesel, ambos neurocientistas, descobriram um “período crítico” em que o cérebro deveria receber estímulos para que se desenvolvesse normalmente. “A descoberta do período crítico tornou-se uma das mais famosas no campo da Biologia na segunda metade do século XX[1] e rendeu aos pesquisadores o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1981. Continuar lendo O ser e a sigla – ideologias partidárias

O homem e a Filosofia – vidas existenciais

… Ou o mais apropriado seria “existências vitais”? — Gente questionadora mal dorme, é porque pensa demais. Pençá1, aliás, tem sido coisa rara de se vê. Mas quando a gente vê, irradia do corpo as esperança, dá uma faceirice podê lê, escutá, e até trocá alguma ideia. Dá até um alento, essa gente que pensa.

Num dia a gente acorda que mal pode levantá da cama, tamanho é o desânimo com o que se vê na vida. Noutro dia ocê passa a noite em claro matutando e antes do galo cantá e dos passarinho se assanhá, passa um café que perfuma a casa toda, tira o pão do forno e faz do começo uma nova alegria. A vida era pra sê assim, simples como acordá de manhã propondo um dia de satisfação. Perfumada com as beleza da Natureza. Tem coisa mió do que acordá de manhã e senti o cheiro de terra moiada? Daí passa um café torrado no ponto, e o pão sai do forno… hummm! Se é Primavera, o perfume das flores. Se é Outono, o aroma das frutas. Se é Inverno, a lenha queimando e a sopa fervendo. Ou o nariz gelando. Verão é calor demais, cheiro da limonada que refresca, do banho de cachoeira, ou da caminhada no mato dos morro verde, por aí… Continuar lendo O homem e a Filosofia – vidas existenciais

A princesa e o desencanto – desamores românticos

Era uma vez, em uma galáxia muito muito distante do buraco negro, havia um planetinha colorido e alegre, onde tudo parecia estar em harmoniosa e positiva vibração (conceitos culturais adquiridos e somados durante milênios de existência pensante e comportamental). O planetinha era predominantemente azul por ser parcialmente coberto por oceanos, e possuía densas manchas verdes nas partes continentais, que revelavam suas lindas e históricas matas florestais, onde habitavam um sem número aglomerado de espécies variadas em equilíbrio, como também acontecia nos oceanos. Continuar lendo A princesa e o desencanto – desamores românticos

O sonho e a realidade – psicodelias etéreas

Sentado sobre as pedras do alto do morro, olha para o horizonte enquanto o sol se põe. Ouve as batidas das ondas do mar contra o rochedo, mas não vê as notas de Handel dançando no oceano como nas suítes de Water Music1. Observa as gaivotas que flutuam leves, firmes, desenhando movimentos enérgicos e velozes. E durante todo o tempo que decorre o pôr do sol, surpreende-se com as variações nas cores e luz da paisagem. A brisa mansa parece estar seduzindo o orvalho para que ele chegue mais, neste exato momento.

Algumas estrelas apontam pequenos e quase imperceptíveis brilhos, há milhares de anos luz. Continuar lendo O sonho e a realidade – psicodelias etéreas